sexta-feira, 27 de março de 2009

RESENHA: “REFLEXÕES SOBRE MÉTODO DIALÉTICO EM SITUAÇÃO PEDAGÓGICA” Bittencurt. Circe.

Ao analisarmos os métodos educacionais utilizados hoje, verificamos que estes herdam de práticas e conceitos positivistas. Os métodos tradicionais, principalmente no ensino de Historia, transmitem o conteúdo baseando-se numa ordem narrativa-cronologica de forma com que estes se apresentem inquestionáveis, dotados de plena verdade e não cabíveis de questionamentos e reflexões. Fazendo com que, desta forma, não possibilite ao aluno uma formação crítica, em relação ao conhecimento e sua própia vida.

Critica-se esta pratica ao acreditar na produção do conhecimento e de sua propagação a partir das contradições, de análises críticas que venham contrapor teses e teorias, proporcionando assim, a partir de “prós e contras”, um maior campo de interação entre aluno-professor-conhecimento. Método esse, definidos nessa forma pelos filósofos Karl Marx e Hegel, como dialética. Comungando desta teoria, Henri Lefebvre a discute por um novo viés, se para Marx a vida social era mutável e dialeticamente construida, para Lefebvre esta ação é “inerente” ao homem, proporcionando sua referências por contradições incessantes.

Assim o método dialético, em contraposição a “lógica formal”, que defende as “informações absolutamente como verdadeiras ou falsas”e não passiveis de questionamentos, aponta com um método que traz o objeto como um problema, para que o desfragmentando e o descodificando possa-se estabelecer novas analises e conceitos a seu respeito, defendendo que é preciso que se entenda também seu processo de constante modificação.

O filófoso Gaston Bachelard, preocupado com o conhecimento científico, vem apontar a “formulação de problemas” como um não contentamento às opiniões já formadas referentes ao objeto de estudo. Bachelard acreditava que o conhecimento cientifico se constrói pela problematização do objeto, iniciado pela observação do fato, a problemática e a examinação dos vestígios para que assim possa-se delinear a real problematização. Desta forma, somente pela contraposição de teses é que pode-se elaborar uma crítica que então culminará no conhecimento, nos trazendo um novo termo : obstáculo epstemologicos, que para a educação obstáculo pedagógico.

Para tanto, Bachelar acreditava ser o conhecimento prévio apensa um ponto de partida para sua recepção do “verdadeiro conhecimento”, o que vem se discutido por Paulo Freire na sua elaboração de um metodo dialógico.

Para Paulo Freire o conhecimento é adquirido socialmente dando-se por meios individuais, assim a relação entre o aluno e professor é de plena troca, retirando do professor a figura de reprodutor de conhecimento. Assim, o conteúdo que de ante-mão ainda é de posse somente do professor, no metodo dialogico, ao ser transpassado através do diálogo com os alunos, não só estes aprendem mas também o professor ; “ O diálogo é a confirmação conjunta do professor e dos alunos no ato de conhecer e re-conhecer o objeto de estudo.”(FREIRE, Paulo.1986).


Referências Bibliográficas:


BITTENCOURT, Circe Maria Fernandes. Ensino de História fundamentos e métodos. São Paulo: Cortez, 2005


MARTINS, Jonathan Alves. “ A realidade social é um processo de incessantes contradições que só podem ser apreendidas em termos dialéticos”. Belo Horizonte, 2008. Disponível em : www.historiadorsa.blogspot.com

Um comentário:

daniela disse...

sua resenha me ajudou muito...ah...alguém ainda cita as fontes...que saco, alguns dizendo que os escritos recentes são apenas amontoados de citações...melhor citar do que plagiar né?